Caso Ceci: Talvane Albuquerque e atiradores devem ser interrogados hoje

Postado por em 17 janeiro, as 10:52 Em Alagoas

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O segundo dia de julgamento do assassinato da deputada federal Ceci Cunha teve início nesta terça-feira (17) com o depoimento de um dos acusados de autoria material do crime. Jadielson Barbosa é apontado como o homem que atirou contra a vítima. Ele foi reconhecido ontem pela irmã de Ceci, Claudinete Santos Maranhão.  Acompanhe o julgamento em tempo real pelo Tudo na Hora.

O réu negou participação na chacina e disse ao juiz André Granja que soube do crime pela rádio quando levava o filho de Talvane Albuquerque para a cidade de Arapiraca. Jadielson diz ainda que não sabe nem por ouvir dizer quem foram as pessoas que mataram a deputada e que desconhece a região onde ocorreu a chacina em que foram mortos Ceci Cunha e seus familiares.

Ao chegar lá, soube que o deputado estava sendo acusado de participação no assassinato e decidiu ir para Brasília. "Deixei Maceió para a capital federal porque sou uma pessoa pobre e tinha medo de ser preso", disse.

Apesar da viagem, Jadielson fez questão de ressaltar que não usou a palavra fuga usada pelo delegado durante o depoimento que prestou na sede da Polícia Federal na época em que foi preso.

Em relação ao diálogo que teve com o pistoleiro Chapéu de Couro, o réu alegou que se tratava da contratação de dois seguranças para Talvane e não de pistoleiros porque havia um plano de Luiz Dantas para matá-lo. “Sabia que Chapéu de Couro era uma pessoa perigosa e falava com ele o mínimo possível. Tinha medo dele e era uma pessoa inocente”, afirmou.

Ele disse ainda que Talvane acabou desistindo da contratação de seguranças porque deixou de acreditar no plano de Luiz Dantas.

O réu disse ainda desconhecer qualquer conversa entre o deputado Talvane Albuquerque e Chapéu de Couro para matar o deputado Augusto Farias e Albérico Cordeiro.

Sobre depoimento prestado na Comissão de Ética na Câmara dos Deputados em que confirmou a compra de coletes à prova de balas, o réu disse que mentiu porque estava "mentalmente cansado".

Jadielson Barbosa começou a trabalhar em 1996 como assessor do deputado Talvane Albuquerque, inicialmente pago por ele, mas depois pela Câmara dos Deputados. Ele chegou a ser preso pela chacina em 1998. Ficou preso por dois anos. “Retornei para Arapiraca, mas não mais consegui trabalho lá, já que fui taxado de bandido”, ressaltou o réu, dizendo que foi para São Paulo em 2002 para trabalhar como açougueiro, pedindo demissão para ser julgado.

Mais depoimentos

É esperado para acontecer hoje o interrogatório que gera mais expectativa no júri popular: o do ex-deputado federal e acusado de ser o autor intelectual do crime, Talvane Albuquerque.

Além do ex-deputado serão interrogados, ainda hoje, os réus Alécio Vasco e o acusado de ter deflagrado o tiro que matou a deputada Ceci Cunha, Jadielson Barbosa. Os dois são acusados de serem os autores materiais da chacina da Gruta.

Em seguida, haverá um dos momentos mais esperados: o debate entre acusação e defesa, com direito a tréplica e réplica.

As últimas etapas do julgamento são as diligências finais, a votação dos jurados e a leitura da sentença. Como a primeira etapa do julgamento (a oitiva das testemunhas) foi abreviada, há a possibilidade de que todo o restante do processo possa ser feito nesta terça-feira.

Primeiro dia de julgamento

O julgamento da "Chacina da Gruta" começou nesta segunda-feira (16), 13 anos e um mês após o crime. Foram ouvidas testemunhas de defesa e acusação, além de dois acusados da autoria material dos assassinatos.

A audiência, no prédio da Justiça Federal, em Maceió, começou às 9h e durou até o início da madrugada. O júri do assassinato de Ceci Cunha é um dos mais importantes da história de Alagoas. 

A primeira testemunha de acusação ouvida foi a irmã da deputada. A única sobrevivente da chacina, Claudinete Maranhão foi ouvida pelo juiz André Granja. Ela escapou da morte se escondendo debaixo da cama, mas ainda chegou a ser ferida. A testemunha reconheceu Jadielson Barbosa como um dos homens que entraram atirando na casa na noite do crime. Claudinete ficou a uma distância de três metros do réu. "Ele foi o único que entrou na varanda da casa", disse.

Depois da sobrevivente, foi a vez do policial militar José Farias de Melo depor. Ele confirmou que foi contratado pelo pistoleiro Chapéu de Couro para fazer um serviço para o deputado Talvane Albuquerque – matar o deputado federal Augusto Farias, alvo inicial de Albuquerque. Pelo assassinato, receberia R$ 200 mil, dividido em três prestações.

O policial disse que o plano inicial era simular um acidente de trânsito, mas Talvane Albuquerque teria dito "não" porque as chances de Farias sair vivo seriam grandes.

Uma gravação telefônica entre Chapéu de Couro e Talvane Albuquerque foi apresentada ao júri. O diálogo confirmava a contratação de pistoleiros para matar Augusto Farias. A testemunha disse que estava ao lado de Chapéu de Couro quando o telefonema aconteceu. Por meio de códigos, ele disse que já tinha providenciado "os litros de mel", que seriam os pistoleiros.

A terceira testemunha de acusação foi ouvida no início da tarde. José Luís dos Santos era  funcionário da portaria do prédio onde morava o acusado Talvane Albuquerque em 1999 e disse que os réus frequentavam a sua casa de Talvane. Após ser questionado pelo advogado de defesa de Albuquerque, Welton Roberto, ele se contradisse e afirmou reconhecer apenas Jadielson Barbosa.

Defesa: testemunhas entram em contradição

Após ouvir três testemunhas de acusação, o juiz André Granja começou a ouvir as primeiras da defesa. O que chamou a atenção foi o fato dos depoentes terem entrado em contradição em relação à presença do acusado José Alexandre dos Santos, o "Zé Piaba", na cena do crime. 

Edmilson Gomes de Novais, que falou de Arapiraca por meio de vídeoconferência. Ele disse que no dia do crime estava com o acusado José Alexandre dos Santos na praça Gabino Besouro, em Arapiraca, das sete à meia da noite, e que, por isso, ele não teve participação no assassinato. A chacina ocorreu às seis da tarde. Diante do depoimento, a promotoria disse que vai denunciá-lo por falsidade ideológica, já que, em depoimento no ano de 1999, Edimilson afirmou estar com o acusado das sete às dez da noite em documento.

A segunda testemunha da Defesa, Aloísio Neves, disse também que esteve com José Alexandre na mesma praça. Ele declarou ter ficado no local até às 23h e que chegou, inclusive a conversar com o acusado sobre o assassinato da deputada Ceci Cunha, notícia que ouviu numa rádio local. Entretanto, Neves negou que Edmilson estivesse na praça.

Por fim, a terceira testemunha da defesa foi o servidor público José Roberto Veras. Ele disse que passou pela mesma praça de carro, por volta das 19h50 e viu José Alexandre, Aloísio e Edmilson. Com este depoimento, as testemunhas de defesa entraram em contradição.

Réus dizem que confessaram crime sob tortura

Durante interrogatório, José Alexandre, apontado como um dos atiradores do crime, disse que não estava em Maceió no dia da chacina e disse ser inocente. "Não tenho nada a ver com isso", repetiu diversas vezes. Em seu depoimento, o acusado disse que foi torturado pela Polícia Federal, no Maranhão, para prestar depoimento falso.

José Alexandre disse ainda que, durante a "tortura", diziam: “Fale, fale, quem tá mandando é o pessoal de Renan Calheiros”. Segundo ele, os policiais diziam que era para ele falar para incriminar Talvane. Tudo foi feito com arma na cabeça, segundo o acusado. "Se tivesse alguém da Federal eu reconheceria, tinha um gordo, um do cabelo amarrado…", ele disse.

Mendonça Medeiros foi o segundo réu a ser interrogado, na noite desta segunda-feira (16). Ele negou praticamente tudo o que havia confessado em depoimentos anteriores.

O acusado confirmou que seu pai, que foi vereador por quatro mandatos em Arapiraca, apoiou Talvane em suas campanhas eleitorais para deputado estadual e federal e que ele próprio (Mendonça) tornou-se empregado de Talvane em uma de suas clínicas.

Em seguida, o juiz leu para Mendonça o teor de seu depoimento prestado no dia 12 de fevereiro de 1999 (pouco menos de dois meses após a chacina) a policiais federais logo após sua prisão em Conceição do Araguaia (PA).

Mendonça confirmou alguns detalhes periféricos. Mas negou tudo aquilo que havia confessado em um depoimento a policiais federais. Ele alega que os policiais o espancaram, simularam afogamento e o violentaram sexualmente para obrigá-lo a confessar tudo.

O juiz André Granja mencionou que o exame de corpo de delito feito em Mendonça Medeiros no seguinte após a suposta tortura não apontou nenhum tipo de agressão.

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  1. Jadielson chora e diz que vai sair vitorioso do julgamento – Primeira Edição « Contacto Latino News, 4 mêss atrás Responder

    [...] Caso Ceci: Talvane Albuquerque e atiradores devem ser interrogados … Boa Informação Julgamento do caso Ceci Cunha pode terminar antes do previsto O Dia Online veja.com -Gazetaweb.com -G1.com.br todos os 192 artigos »  Tags: Brasil, Portugês, Últimas notíciasPosted in World | No Comments» [...]

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