PF aponta bônus de fim de ano de Vorcaro a milicianos

Operação Compliance Zero: Ex-banqueiro Daniel Vorcaro Pagava Bônus a Grupo Suspeito de Ameaças

Um detalhe intrigante emergiu na sexta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 14 de março. Documentos da investigação revelam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, teria efetuado pagamentos a membros de um grupo conhecido como “A Turma”. A Polícia Federal (PF) identifica essa organização como a responsável por orquestrar atos de intimidação e ameaças.

A PF destacou em seu relatório que tais pagamentos se assemelham a um “bônus de final de ano” direcionado a integrantes de “A Turma”, conforme detalhado nos autos do processo.

Estrutura de Operações Criminosas

De acordo com as apurações da Polícia Federal, a rede criminosa ligada a Daniel Vorcaro operava em duas frentes principais. O grupo “A Turma” era encarregado de ações diretas, como ameaças, coerção e obtenção ilegal de informações. Paralelamente, um segundo núcleo, apelidado de “Os Meninos”, seria responsável por ataques virtuais, invasões de sistemas, desativação de perfis online e escutas telefônicas não autorizadas.

Pagamentos e Conexões Policiais

As investigações apontam para um episódio específico em dezembro de 2025, quando o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva solicitou a chave Pix de Anderson Wander da Silva Lima. Este último é um agente da PF lotado na Delegacia Especial da corporação no Aeroporto Internacional do Galeão, Rio de Janeiro.

A PF sustenta que Marilson, também membro de “A Turma”, realizou um pagamento a Anderson, referindo-se a ele como uma “oferenda” que seria concretizada no dia seguinte. Essa movimentação financeira reforça a suspeita de envolvimento de agentes públicos em atividades ilícitas.

O grupo é descrito pelos investigadores como um braço operacional focado em táticas como intimidação física, coerção, levantamentos sigilosos, obtenção de dados confidenciais e acessos indevidos a sistemas governamentais, tudo para servir aos interesses de Vorcaro.

Esquema de Vigilância e Pagamentos Ilícitos

A Polícia Federal alega que toda essa estrutura integrava um esquema paralelo de vigilância, supostamente sob o comando do banqueiro, que se encontra detido. Conforme a investigação, o grupo liderado por Marilson Roseno da Silva recebia ordens do pai de Vorcaro para exigir vantagens indevidas. Além disso, o pai de Vorcaro é apontado como o responsável pela gestão financeira dos pagamentos.

Policiais Federais Atuavam como Informantes

Entre os indivíduos investigados estão Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado que teve mandado de prisão expedido, e Anderson Wander da Silva Lima, policial federal ativo na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, também alvo de prisão.

A investigação também abrange a delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva, que foi alvo de busca e apreensão, afastada de suas funções e proibida de contatar outros membros da corporação. Seu marido, Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, também teve mandado de busca e apreensão.

Segundo a PF, Valéria e Francisco teriam repassado informações sigilosas a Marilson Roseno da Silva por meio de consultas no sistema e-Pol, uma plataforma interna da Polícia Federal.

A decisão do STF também menciona Manoel Mendes Rodrigues, identificado como um “empresário do jogo do bicho” no Rio de Janeiro e apontado como líder de uma ramificação local do grupo investigado.



Com informações da Revista Oeste